AUTO SAPIENS COMO PROJETARCARROS QUE VEEM, PENSAM E ATUAM COM SEGURANÇA

Os veículos ainda têm muito a aprender com o cérebro humano e sua capacidade de lidar com a complexidade de maneira eficiente. Esse órgão administra funções básicas como respirar e andar de forma quase que automática e foca no poder de conhecimento da situação, tomada de decisão e coordenação de tarefas mais complexas.

Até recentemente, ter três unidades de controle eletrônico que se comunicavam umas com as outras em um veículo era considerado complexo. E, embora isso ainda possa ser suficiente para algumas funções no futuro, não será capaz de substituir completamente o condutor.

Para os desenvolvedores de automóveis, replicar o talento do cérebro humano para gerenciar a complexidade de forma eficiente é agora o objetivo principal. Os veículos no futuro precisarão de inteligência a bordo que possa disponibilizar funções automatizadas de condução para os consumidores.

Para que os carros possam pensar e decidir aonde ir e como fazê-lo – quando acelerar, frear e manobrar – uma série de unidades de controle eletrônico não é suficiente. Os veículos precisam de uma arquitetura eletrônica que desenvolva também uma camada de abstração.

Em resumo, precisam de sistemas operacionais que estejam entre as funções de hardware e software. Por exemplo, ao fazer o download de um aplicativo no smartphone, seu sistema operacional assume a dependência de hardware. Dessa forma, o desenvolvedor de software não precisa mais instalar sensores, mecanismo gráfico e processador.

“O P&D avançado da ZF está desenvolvendo conceitos para a ‘segurança cognitiva integral’”

Karl-Heinz Glander, gerente sênior de
engenharia da ZF para Condução

Acelerando o progresso nessa direção

A implantação no veículo é mais complexa, mas a indústria automotiva está acelerando o progresso nessa direção.

Karl-Heinz Glander gerente sênior de engenharia da ZF para Condução Automatizada e Segurança Cognitiva Integral, diz: “Atualmente, se o condutor quiser uma função de freio automático de emergência, por exemplo, o fabricante de automóveis compra o hardware de radar, juntamente com algoritmos de controle. São feitas atualizações quando uma nova geração de hardware é lançada, junto com um novo código. A condução automatizada não funcionará dessa maneira”.

"Os carros que oferecem funções automatizadas terão arquiteturas eletrônicas que serão independentes do hardware. Com a chegada da Microsoft e da Intel, o desenvolvimento de computadores especializados, como o Spectrum ZX e o Commodore 64, foi interrompido. Os veículos estão começando a passar pelo mesmo tipo de transição”.

No passado, um veículo poderia ter sensores dedicados para monitoramento de pontos cegos e função de assistência a congestionamentos, mas não havia troca de informações entre os dois. Com arquiteturas voltadas para componentes, mesmo quando estes estiverem na mesma rede CAN, a combinação dessas funções pode ser difícil.

“Com arquiteturas eletrônicas mais avançadas, os sistemas de segurança podem evoluir a partir da simples tomada de decisão baseada em apenas dois ou três sinais”, diz Glander. “Ao planejar uma plataforma para veículos no futuro com 20 sensores, cada vez mais fabricantes de automóveis agora priorizam uma forma de combinar todos esses dados em uma arquitetura única e centralizada. Isso pode ser feito com uma potente unidade de controle eletrônico central ou compartilhando a potência de computação de diferentes unidades de controle eletrônico.”

A automação permitirá às pessoas abandonarem a condução por períodos de tempo, o que exigirá novos conceitos de segurança.

Manobra evasiva

A adoção de uma abordagem funcional simplificará a utilização de sensores ambientais pelos fabricantes de automóveis para ajudar a aumentar a proteção contra batidas. Por exemplo, se um veículo que estiver se aproximando atingir uma camada de gelo e começar a girar, um veículo automatizado pode prever a trajetória do veículo que se aproxima.

Desse modo, o carro pode calcular a manobra evasiva e preparar o airbag e sistemas de retenção para a colisão potencial.

“O P&D avançado da ZF está desenvolvendo conceitos para a ‘segurança cognitiva integral’”, diz Glander. “Isso significa disponibilizar inteligência artificial aos veículos, ao invés de apenas reunir sinais. E significa definir as funções do veículo – as propriedades e capacidades que você deseja que o carro tenha – antes de decidir qualquer coisa”.

Essa é uma mudança fundamental no modo em que a indústria automobilística vê a segurança e como ela é organizada. Hoje, as equipes responsáveis pelo hardware tendem a desenvolver sistemas em silos, apoiadas por corporações de compras que procuram por hardware com software incorporado.

O foco é mudar agora para veículos equipados com sistemas completos, não apenas componentes, com novas capacidades. Nesse processo, o software é cada vez mais reconhecido como um produto em si mesmo. Essas alterações no espírito da indústria acelerarão o desenvolvimento da inteligência artificial.