A evolução da revolução

Quando pensamos em indústria naturalmente vem à cabeça da grande maioria das pessoas as seguintes imagens: galpões de fábricas, máquinas, linha de produção e operários. A célebre cena do fabuloso filme “Tempos Modernos”, dirigido e protagonizado por Charles Chaplin em 1936, inevitavelmente também acaba aparecendo, particularmente na mente dos apaixonados por cinema.

Mas agora estamos entrando em um tempo verdadeiramente moderno que vai definitivamente mudar tudo isso de uma forma espetacular. Inclusive a maneira como as pessoas enxergam a indústria.

A Revolução Industrial que aconteceu na Inglaterra em meados do século 18, tecnicamente, ficou conhecida como Indústria 1.0. Foi o início. No filme de Chaplin esta indústria já estava em sua segunda fase, conhecida como 2.0, quando a produção em massa foi introduzida (como não lembrar do Henry Ford ao criar sua “linha de montagem”?). Já nas últimas três décadas do Século 20 começou a terceira fase da Revolução Industrial, conhecida como Indústria 3.0, quando processos eletrônicos e tecnologias de informação para automação foram introduzidos.

Entramos agora no limiar da quarta onda desta revolução iniciada há mais de 200 anos. O nosso “Tempo Moderno” atual, neste início do século 21, é conhecido como Indústria 4.0 e, nos EUA, o termo mais usado para definir este mesmo processo evolutivo é “Revolução Digital”. Mas vamos usar Indústria 4.0 que é a maneira como vem sendo aceita e difundida no Brasil.

E é neste ponto que o conceito assume outra cara que vai fazer com que, nas próximas décadas, as pessoas tenham uma imagem muito diferente de indústria do que sempre tivemos até há pouco tempo. Está em curso uma extraordinária e histórica quebra de paradigma no setor industrial.

A internet é o fio condutor deste novo conceito. Com um mundo inexoravelmente e cada vez mais conectado, para muito além da globalização, tema que tanto se discutiu nos anos 1990, o foco agora é a “internet das coisas”. Uma boa maneira de simplificar o entendimento do que isso significa seria algo como a indústria automotiva produzir carros tão rigorosamente sob medida que seriam capazes de conhecer mais intimamente seus proprietários. Imagine um carro entender seus gostos, seus roteiros, seus horários, hábitos e, inclusive, suas manias e defeitos ao dirigir? Parece utopia futurista? Não é, não. A indústria, particularmente na Alemanha, está levando este assunto muito a sério e se posiciona na vanguarda desta nova tendência.

Especialistas preferem classificar como evolução, e não revolução, esta etapa da industrialização. Neste início, as principais vantagens desta nova indústria são flexibilidade do processo produtivo (o que torna mais ágil o lançamento de novos produtos no mercado consumidor), maior customização de produtos, grande aumento da produtividade e, para o bem do meio ambiente, consideráveis ganhos de eficiência no uso dos recursos.

A ZF, por ser uma empresa que tem a inovação como sua mais marcante característica, está inteiramente inserida e engajada nesta nova etapa da evolução industrial. Se no filme protagonizado por Chaplin os humanos tinham que se esforçar para se parecer com as máquinas, muitas vezes confundindo-se com suas engrenagens, nesta quarta onda deste longo processo evolutivo são as máquinas que se esforçam para se parecer com os humanos e colocam suas engrenagens para melhor servi-los.

É o que a ZF chama de “fábricas inteligentes” que garantem mais produtividade, melhor qualidade dos produtos, o uso mais adequado e consciente dos recursos naturais e uma logística altamente eficiente entre todas as suas unidades no mundo.

" Máquinas e processos não se automotizam sozinhos, é preciso capacitar os profissionais que serão os grandes protagonistas desta nova era da industrialização global."

Wilson Bricio, Presidente da ZF América do Sul.

Com este processo é possível reduzir substancialmente o índice de defeitos e, melhor ainda, garantir celeridade para detectar os problemas muito antes do produto final chegar ao consumidor.

O mundo digital continua a influenciar nossas vidas cada vez mais, estando presente em nossas casas e automóveis. Desenvolver produtos para a indústria automobilística com o máximo da qualidade já não é mais o suficiente. Se quiser estar bem posicionado no mercado futuramente é preciso, também, concentrar esforços para entender sobre eletrônica, sensores e redes digitais. A ZF vem acompanhando as megatendências mundiais fazendo componentes mecânicos se adequarem ao futuro, e espera o mesmo dos fornecedores.

A Indústria 4.0 vem sendo introduzida na ZF por meio de uma abordagem mais evolucionária e a empresa definiu um comitê central para cuidar especificamente deste assunto em todas as suas unidades. O objetivo principal é focar na alta qualidade, na eficiência logística e no uso consciente dos recursos naturais. Experiências positivas neste sentido já foram implantadas nas unidades da ZF na Alemanha, México e Brasil.

No Brasil, especificamente, com este processo ainda incipiente, a ZF dá grande apoio à VDI (Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha) no sentido de preparar estes profissionais para esta espetacular evolução da indústria. Com amplo apoio da ZF, a 8ª Edição do Dia da Engenharia Brasil-Alemanha teve como tema “Engenheiro 4.0 na transformação digital”. Wilson Bricio, presidente da ZF América do Sul diz: máquinas e processos não se automatizam sozinhos, é preciso capacitar os profissionais que serão os grandes protagonistas desta nova era da industrialização global.

Além do apoio à VDI Brasil, a ZF está empenhada em difundir o novo conceito tanto para seus colaboradores em todas as suas unidades na América do Sul como também para discutir processos, evolução e implantação das novas práticas nos ambientes fabris, bem como os principais desafios a serem enfrentados para a efetiva implantação da Indústria 4.0 na região.

A ZF reconheceu a importância da Indústria 4.0 precocemente. Nos últimos anos, digitalizou sistematicamente os sistemas de produção e aplicou novas tecnologias para agilizar e melhorar continuamente a eficiência produtiva, ação que os clientes exigem dos seus fornecedores. As montadoras esperam receber o mais rápido possível as informações relevantes e em tempo real relativas aos status da produção.