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Airbag inovador da ZF é o menor e mais leve do setor automobilístico.
Frank Mertens, Junho 07, 2018
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Frank Mertens tem se dedicado ao setor automobilístico desde 2005 Esta matéria foi inicialmente publicada no site www.autogazette.de
Em 2019, a ZF lançará o primeiro airbag da indústria automotiva para proteção dos joelhos com alojamento de tecido, que será instalado por uma das maiores montadoras europeias. Ele chega a ser 30% mais leve que os modelos convencionais com capa de metal. Em entrevista, Norbert Kagerer, head da unidade de negócios de segurança dos ocupantes, e Werner Freisler, responsável pela área de airbags de joelho, explicam a inovação.

O novo airbag de joelho da ZF é considerado o mais leve do setor automobilístico, já que sua carcaça é de tecido e não de metal. A redução do peso foi de 30%. Qual é o valor exato da economia alcançada?
Werner Freisler: O módulo completo de airbag de joelho pesa menos que 700 gramas, o que corresponde a cerca de 300 gramas a menos que a versão anterior com capa metálica. Além disso, economizamos peso e espaço na instalação no painel de instrumentos. A redução total do peso varia de veículo para veículo.

A utilização do revestimento de tecido faz o airbag inflar mais rapidamente?
Freisler: Não. A tecnologia robusta que conhecemos permanece inalterada. É justamente isso que torna o nosso desenvolvimento tão interessante. Asseguramos economia expressiva no peso, sem comprometer a funcionalidade.
A ZF anunciou que uma das maiores montadoras europeias instalará o airbag de joelho no próximo ano. Estamos nos referindo aos carros de luxo?
Norbert Kagerer: Não. Trata-se de um fabricante de grandes séries e não de apenas poucos automóveis do segmento superior. Dessa forma, estamos ajudando a aumentar consideravelmente a eficiência da frota.
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O revestimento do airbag de joelho é de tecido.

As leis que regulamentam as emissões de CO2 estão ficando cada vez mais rigorosas. Como isso impactou a engenharia do airbag de joelho?
Freisler: Esse aspecto foi fundamental. Economizar no peso é essencial para o setor automobilístico. Foi por isso que desenvolvemos módulos com peso otimizado. Obtivemos sucesso em reduzir um bom volume e não apenas uma pequena quantidade. Temos que lembrar que já era considerado um grande passo se a economia era de 50 ou 100 gramas. Se damos um salto na magnitude de cerca de 300 gramas, a atratividade para o cliente é imensa.

Quanto tempo levou para desenvolver o airbag de joelho?
Freisler: Foram três a quatro anos, da primeira ideia até ele ficar pronto para a produção.
O alojamento de tecido também será usado em outros airbags?
Kagerer: Estamos trabalhando para aplicá-lo no airbag do passageiro. Já temos parceiros interessados fora da Europa.
A condução autônoma nos coloca diante de vários conceitos novos.
— Norbert Kagerer, responsável pela unidade de negócios de segurança dos ocupantes da ZF

Que vantagens o airbag de joelho oferece em termos de segurança? Além das pernas e coxas, quais partes do corpo são protegidas?
Freisler: O airbag de joelho se desdobra entre o painel de instrumentos e a canela, subindo até os joelhos. Ele permanece nessa posição e assegura que as extremidades inferiores ajudem a manter o corpo encostado no assento. A bolsa de ar protege os joelhos e influencia a cinemática dos ocupantes, oferecendo potencial otimizado para mais proteção. Sua tarefa segue o lema “pequenas mudanças com grandes efeitos”.
Kagerer: Estamos falando de um sistema completo que abrange desde o cinto de segurança, passando pelo airbag do motorista e/ou passageiro, e vai até o airbag de joelho. Dessa forma, proporcionamos a maior melhoria possível na cinemática geral do corpo que ocorre na eventualidade de um impacto. O airbag de joelho constitui um componente do sistema que garante proteção ideal do ocupante.

A ZF afirma que um novo processo de produção possibilitará novas configurações do espaço, aprimorando a função de proteção. O que isso significa concretamente?
Kagerer: O acondicionamento e o espaço disponível para instalação são temas que ganham cada vez mais importância. Estamos avaliando onde podemos oferecer mais lugar e possibilidades aos ocupantes – obviamente com o mesmo efeito de segurança ou até mais. O setor automotivo inteiro está se empenhando em diminuir o espaço necessário para a montagem dos geradores de gás dos airbags.
Freisler: Fomos capazes de ocupar um espaço bastante reduzido, podendo atender às demandas dos futuros conceitos de interiores para viabilizar a condução automatizada.

Quando nos referimos à condução autônoma, também falamos do carro como escritório sobre rodas. Essa ideia é motivo de preocupação com relação à segurança?
Kagerer: É claro que precisamos ver como podemos melhorar ainda mais a proteção dos ocupantes quando o automóvel se tornar, por exemplo, um local de trabalho ambulante. Se damos mais liberdade de espaço aos ocupantes, temos que ver onde podemos acondicionar os sistemas de segurança. Se o banco continuar sendo modificado, invariavelmente haverá alterações em outros lugares. Os airbags que atualmente estão alojados no volante ou na coluna B terão que ser instalados em outros locais. Partiremos cada vez mais para a integração no assento, que é um dos principais tópicos que estamos analisando minuciosamente.
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Airbag central da ZF

Futuramente não haverá mais airbag na coluna B?
Kagerer: Certamente menos airbags serão montados na coluna B, mas os airbags para proteger a cabeça permanecerão. Também veremos mudanças no tamanho e no posicionamento exato das bolsas de ar. Como eu mencionei, tudo indica que haverá uma maior integração no assento.

Visando a segurança, quais são os requisitos com relação aos veículos autônomos nos quais os passageiros podem ficar sentados com as costas viradas para o sentido da condução ou até deitados com o carro em movimento?
Kagerer: Enquanto não zerarmos os acidentes de trânsito, continuaremos usando os comprovados sistemas de cintos de segurança e airbags. Temos que considerar a integração nos bancos para podermos fazer adaptações à situação do veículo. Estamos cogitando várias opções para garantirmos a proteção mesmo com os assentos virados.
Freisler: Nesse contexto, a tecnologia de sensores é cada vez mais importante, pois é preciso saber onde os ocupantes estão sentados para poderem ser protegidos.
Kagerer: A segurança perfeita requer uma adaptação individual. Isso significa que precisamos saber onde e como o ocupante está sentado e quantos anos ele tem. A questão da idade é essencial. No caso de pessoas mais velhas, é preciso considerar a densidade óssea para fazer uma melhor distribuição da força no sistema de proteção.

Os airbags já estão interligados com os sensores do veículo para que ele esteja preparado como no caso do sistema Pre-Safe?
Kagerer: Isso ainda não existe, mas muito em breve seremos capazes de ativar os sistemas de proteção antes da colisão. O funcionamento será semelhante ao do cinto de segurança, que é tensionado antes do impacto.
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Airbag de teto da ZF

Qual é a dificuldade de desenvolver um produto sem saber quando será realmente lançado e, acima de tudo, que exigências legais serão impostas?
Kagerer: É óbvio que a condução autônoma nos coloca diante de vários aspectos novos. Também haverá mudanças nos NCAPs. Não estamos desenvolvendo nada sem ponderação. Hoje já temos conhecimento das exigências que os nossos veículos terão que suportar. Estamos cientes do que estamos fazendo.

O tempo de disparo dos airbags tem que ser mais curto nos veículos autônomos?
Kagerer: O tempo de acionamento não precisa ser alterado. Hoje já estamos na casa dos milésimos de segundo. O que mudará é a condução preditiva.
Hoje já temos airbags frontais e laterais, no teto e no capô e, em breve, teremos um airbag central da ZF. O carro do futuro mais se parecerá com um airbag gigante?
Kagerer (rindo): É claro que não. Estamos trabalhando na nossa meta do Vision Zero para zerar os acidentes de trânsito. Não creio que, nos próximos anos, estaremos instalando bolsas de ar em volta do veículo todo.

Sistemas de airbag da ZF

A ZF produz vários sistemas de airbag com tecnologia avançada para maior proteção dos ocupantes.